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domingo, junho 12, 2011

Memórias Póstumas de Brás Cuba


Memórias Póstumas de Brás Cuba é o primeiro romance realista, iniciando a segunda fase, a da maturidade, de Machado de Assis. Relata a história de um homem rico, Brás Cubas, de uma duvidosa descendência nobre, um tanto falsos pelos ascendentes, que passa pelo mundo de maneira superficial, despreocupada e egoísta. Nasce rico, é mimado pelo pai, tem uma mãe que não parece muito forte, um tio que aparece como um devasso, outro tio padre e outros parentes que, de uma ou outra maneira, influenciam na formação moral do menino terrível que ele foi. Aos dezessete anos apaixona-se por Marcela, uma mulher  interessada muito mais no ouro, na riqueza, na ascensão social, que no amor.
Ela brinca com o amor do garoto, dosando seus carinhos de acordo com o presente que Brás Cubas trazia. Endividado, descartado pela amante, perdoado e protegido pelo pai, é enviado para a Europa, estudando e vivendo superficialmente. Retorna para ver sua mãe morrer. O pai deseja que ele case com Virgília, mas ele mostra interesse por Eugênia que, como perfeita personagem realista, é coxa. Isso diminui, e muito, o amor de Brás Cubas por ela. Virgília acaba casando com Lobo Neves, visualizando um título de marquesa. Além da noiva, Lobo Neves, rouba-lhe a candidatura de deputado, prometida pelo pai da moça. Virgília parte com o marido, mas quando retorna, acaba transformando-se em amante de Brás Cubas. É o amor que marca nosso personagem. Acobertados por dona Plácida, os amantes vivem seus dias de glória, que acabam quando Lobo Neves parte para mais um cargo no governo. Brás Cubas reencontra um amigo da infância, Quincas Borba. Esse amigo, que já tinha sido mendigo, doutrina-o no Humanitismo, uma filosofia desenvolvida por ele e apoiada no Positivismo e no Evolucionismo. Brás Cubas chega a deputado, perde a chance de ser ministro e passa para a oposição. Pouco a pouco vê parentes, amigos e conhecidos enlouquecer, morrer, desaparecer. No final da vida quer inventar um emplasto, que aliviaria a melancólica humanidade, curando todos seus males.
É a primeira e última tentativa de deixar sua marca no mundo, de redimir-se de uma vida vazia e sem propósito. Não alcança seu objetivo, morrendo aos sessenta e quatro anos, depois de rever sua antiga amante, sozinho, sem deixar filhos e sem encontrar seu lugar no mundo.
“ Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas". Estamos na presença de um defunto autor, alguém que morreu e, desde da eternidade, decide contar sua vida, partindo do seu enterro, acompanhado por onze amigos.”
Brás Cubas é, então, um narrador que, por meios não explicados, consegue narrar sua vida desde as sombras do túmulo, depois de enterrado e devorado pelos vermes. Ele e frio, distante, sincero, totalmente independente, analisando com agudeza sua existência terrena e aquelas pessoas que fizeram parte do seu dia-a-dia.Ele escreve , referindo-se ao seu primeiro grande amor: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis..." Nada tem de romântico esse amor, sustentado com presentes caros, alimentado com muito dinheiro, medido pelas riquezas que o pobre jovem  Brás Cubas podia depositar no colo de Marcela.”
Brás Cubas é um ser humano egoísta, que usa sua inteligência para alcançar seus objetivos vazios e mundanos. Um mundo regido pelas forças mais obscuras da natureza, carregado de determinismo, com os destinos marcados, preestabelecidos. Um universo inçado de forças alheias aos sentimentos humanos, com um ambiente que determina quem será e quem não será, com um entorno que faz as pessoas agirem egoisticamente, buscando a satisfação plena de seus desejos, sem preocupar-se com os meios usados para atingir os fins. Isso nos revela "Memórias Póstumas de Brás Cubas". Amparado na morte, o narrador defunto, não hesita em destruir tudo e todos. Não tem piedade, não se sensibiliza com a dor alheia, analisa friamente as ações e reações das pessoas que o rodearam em vida.
Quando Quincas Borba reaparece, totalmente impregnado da filosofia positivista do Humanitismo, Brás Cubas parece descobrir o sentido da sua vida. Uma vida que tinha sido construída com dinheiro e caprichos, mas que, uma vez desaparecido o amor de Virgília, parecia cair num tremendo vazio. A nova filosofia, desenvolvida por Quincas Borba, parece explicar toda a loucura humana, que joga vidas na lixeira, pretendendo construir um mundo melhor. Pelo Humanitismo tudo tinha explicação: as guerras, ceifando estupidamente vidas, as doenças, as epidemias, tudo acontecia para a sobrevivência dos melhores, dos mais fortes, dos mais preparados para enfrentar o desafio e os mistérios da existência humana. Mas Quincas Borba queima os manuscritos que registravam a doutrina do Humanitismo. Queima os manuscritos e enlouquece, morrendo depois e deixando Brás Cubas mais perdido que nunca, tentando justificar sua vida. A morte o surpreende quando tentava inventar um emplasto, algo maravilhoso que o deixaria famoso e mais rico. Algo que justificaria sua passagem pela Terra. Brás Cubas encerra seu relato de maneira melancólica. Num capitulo chamado "Das negativas", e ainda imbuído do cinismo que caracterizou sua vida, o narrador faz um balanço: "Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria."
A vida de Brás Cubas teve o falso brilho que a riqueza pode dar, mas foi inútil desde o ponto de vista humano. Passou como um meteorito, brilhando por um instante e perdendo-se no espaço infinito. Não deixou marcas, não semeou, todas as possibilidades que nasceram com ele, morreram e foram enterradas no mesmo caixão que viu seus ossos apodrecerem.
CONCLUSÃO: Machado de Assis consegue, nesta obra, não só dissecar à sociedade do seu tempo, mas também mexer conosco, levando-nos a profundas reflexões sobre atos que praticamos quase naturalmente no nosso dia-a-dia. Alcança, então, uma das principais razões da existência da literatura: além de retratar, mostrar, divertir, distrair, fazer com que os leitores pensem, refletiam e de alguma maneira cresçam como pessoas, como seres humanos.
 
--->Rafa



3 comentários:

  1. Esse livro ta no meu currículo escolar OKASPOKSAKSAKPSAOKAS'
    já li varias vezes e me surpreendo em todas *uu*

    boa escolha garotas (:

    kiss

    Bruno

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