A jovem se senta em um dos bancos de madeira e abaixando sua cabeça, começa a murmurar preces e rezas.Logo, ela começa a chorar e os seus soluços ecoaram pela igreja chamando atenção do padre que se encontrava na frente do altar.Ele se vira e pode perceber-se que sua roupa era toda preta com somente uma pequena parte branca e quadrada próximo ao pescoço, um rosto preocupado e sério que estava atrás dos óculos redondos e pequenos.Seus cabelos eram brancos e por aparentar ter uns cinquenta anos, não havia sinal de calvície.Era alto mas não tão forte , vinha caminhando por entre os vários bancos que formavam um corredor.Seu andar era calmo, porém rápido. Vinh a com as mãos entrelaçadas próximas ao peito e com o olhar vidrado na garota.
Ela percebe a aproximação do padre e levanta a cabeça, se afasta um pouco no banco dando espaço para ele se sentar. Ele se senta e já indaga:
-O que há jovem?Por que esse choro sofrido ?
-Ah padre!Fiz coisas das quais não me orgulho.
-Quais coisas?Indagou ele com uma voz doce e olhar concentrado em um ponto qualquer.
-Não sei se devo falar, pois me encontro na casa de Deus.Não é ?Disse ela enxugando as lágrimas e com um olhar um pouco irônico.
-Sim.Estamos!Respondeu o padre levantando o olhar para o altar e fazendo o sinal da cruz em questão de respeito.
-Pois então, não posso dizer, mas...Posse me confessar.Sabe padre, vi e fiz coisas.Para ser mais exata, vou direto ao ponto.Tenho uma idade muito boa, relativamente, e já cometi atrocidades.E a última me trouxe até aqui.Disse a menina olhando para o altar e segurando a cabeça com as mãos, apoiando seus cotovelos em suas pernas.
O padre afasta-se um pouco da jovem e com um olhar preocupado,diz:
-Sim, você pode se confessar.Pode dizer, estou lhe ouvindo.
-Sabe padre, eu levava uma vida normal.Uma vida como qualquer outra.Trabalho, amigos, namorado...Mas, isso não durou muito.Faz uma semana que minha vida está uma bagunça.Tudo começou quando eu estava andando na rua da casa de um amigo meu antigo de escola.Ele estava na varanda de sua casa e me viu passando.Ele com uma voz convidativa e um olhar simpático, me convidou para entrar e tomar alguma coisa, pois estava muito calor.
E estava mesmo, por isso eu entrei.Havia um tempo que não nos víamos.Adentrei em sua casa e logo percebi que era simples, porém bem decorada, havia um toque feminino em tudo isso.Sua casa tinha cheiro de café e um ar frio.Talvez seja por morar próximo á uma floresta.-Explicou ela ajeitando os cotovelos nas pernas.-Ele me disse para ficar á vontade que logo ele me traria um suco e biscoitos.Ele entrou na cozinha e o escutei abrir os armários que por sinal, rangiam.Escutei também ele mexer nos talheres e andar de um lado para outro da cozinha, onde os ruídos cessaram. Talvez estivesse passando o café, deduzi.
Enquanto ele estava na cozinha, pude escutar todos esses sons e observar mais um pouco de sua casa.Mas durou pouco minhas observações, logo ele voltou para a sala com uma bandeja onde havia dois copos e no meio uma jarra de suco e ao lado um pequeno pote de biscoitos.
Ele se sentou cuidadoso no sofá ao meu lado e começou a conversar comigo.O assunto era bom e agradável.Eu não podia ficar muito tempo e por isso tomei logo o suco e me levantei.Quando fiz esse ato, ele se levantou também e disse: ''Venha conhecer meu jardim.Sei que você gosta.''E eu fui.
Passamos por um corredor e do lado esquerdo do mesmo, havia um porta de vidro que dava para um jardim lindo de inverno.Fiquei admirada com tal beleza e o elogiei por isso.Ele se sentiu muito feliz e agradeceu tal elogio.Mas essa alegria logo acabou quando eu percebi uma flor diferente, uma flor rara da qual havia visto uma vez só Padre.-Disse ela olhando para o padre com os olhos cheios de lágrimas.
- E que flor é está menina? Disse o padre devolvendo o olhar da garota e com uma tom de voz curioso.
-É uma flor encontrada somente fora do nosso estado, ela vem de muito longe.Não sei ao certo sua origem.Mas parece quem vem da Ásia talvez.Ela é uma flor bela, cujo seu aroma é doce e suave.Tem pétalas bem delicadas e pequenas.Porém, se extrair sua esencia, cria-se um veneno muito forte capaz de matar um homem adulto.-Sua frase foi dita entre algumas lágrimas que caíam e não paravam.A garota não conseguia contar mais sobre tal assunto, pois estava envolvida em soluços e lágimas.
-O que aconteceu? Peguntou o padre acolhendo-a ao seu lado.
-Ao ver aquela flor padre, eu fiquei em choque.Pois havia duas pessoas, agora três, que conheciam aquela flor.Eu, meu ex-namorado e agora ele, meu amigo.Meu namorado morreu envenenado com essa flor.Os policiais demoraram um mês para descobrir da onde veio esse veneno.Ele era botânico e já mais iria se meter com tal planta.Ele conhecia todas as plantas venenosas e não venenosas.Foi estranha a morte dele.O meu amigo, percebeu meu incômodo com a flor e me perguntou: ''Linda não?Tenho ela desde dos meus tempos de faculdade.Ela é de uma beleza rara igual a você.Veio de longe, igual a ti...e tem um perfume suave e doce...igual ao teu.''Aquilo me deixou assustada.Então o perguntei: ''Como a conseguiu?Havia apenas um exemplar dela no nosso estado, por conter um veneno muito forte.E esse exemplar, era contido na faculdade de Botânica...'' - E antes que ela pudesse concluir sua frase, o tal amigo a interrompeu e disse:''Na qual teu lindo namorado trabalhava.É, eu sei.Eu consegui foi lá.Ele sempre foi uma pessoa boa, de coração bom.Mas um idiota.Me contou tudo o que eu precisava sobre essa flor para conseguir extrair o necessário para matar alguém.Lógico que ele não foi tão burro ao ponto de me contar tudo.Tive que pesquisar,e muito para poder fazer isso certo e bem feito.E deu certo.Hoje aquele idiota está á sete palmos de baixo da terra.E você aqui, do meu lado.''
Então, a garota andou alguns passos para trás e se apoiando na parede disse:''Então...foi você quem o matou...Assassino!''
''Querida, pense mais a fundo.'' Indicou ele se sentando no banco de madeira do jardim e olhado para ela com um sorriso sombrio.''Quem mais teve um diagnóstico de morte não bem concluído por falta de informações sobre o veneno usado?Teu namoradinho, só contribuiu para que os médicos finalmente descobrisse qual era o veneno.''
''Meu pai,meu irmão e agora....meu namorado.Você matou todos aqueles que te impediram de fugir comigo no começo da faculdade, quando eramos jovens e tínhamos sonhos quase impossíveis de serem realizados.E quando eu resolvi não fugir mais, você não se conformou ''.-A garota levantou o olhar para o teto da igreja e disse:
-Padre, ele matou todos aqueles que me amavam.Minha família.Agora não tenho mais ninguém.E quando eles foram mortos, jurei para mim mesma que mataria o assassino com minhas parópias mãos.Lembra de quando eu disse que cometi uma atrocidade?Pois então, depois dessa confissão, eu saí correndo em direção á cozinha e peguei uma faca.Ele veio atrás de mim e segurou minha mão no alto na tentativa de me fazer largar a faca.Ele me empurrou contra a parede e apartava mais forte minha mão.Até que a faca caiu no meu lado direito.Ele segurou com muita força e me jogou no chão.Ele pegou a faca e veio na minha direção.Me desviei dele e quando fiz esse ato, ele acabou caindo sobre mim...Deixando apenas minhas mãos livres.Por sorte, a faca não é cravada em mim.Logo, abri esse baú-Ela pega sua correntinha na qual havia um pequeno baú cor de rosa que dentro, tinha poucas gotas de uma substância que de primeiro impacto, parecia água, pois era incolor e inodora e mostra para o padre, que observa com muita atenção.-Eu despejei esse líquido na boca dele.Logo ele soube do que se tratava.Eu havia guardado uma pequena porção do veneno da flor nesse baú a muito tempo e acabei usando contra o próprio 'feiticeiro'.Foi por desespero, mas ao mesmo tempo, me sentia vingada pela morte daqueles que amei e amo.
O padre escutou toda a história um pouco assustado, mas aconselhou a moça a rezar alguns 'pais nossos' como era de clichê após cada confissão, aconselhou também, a fazer uma pequena novena pedindo perdão pelos seus pecados.Ao término de seus conselhos, o padre se levantou e disse olhando para a jovem com um olhar perdido mas ao mesmo tempo indiferente:
-Escute, faça tudo o que lhe disse.Você apenas se defendeu, mas matou alguém.Não vou te denunciar para a polícia.Mas quero que saia daqui.Não me leve a mal.
-Tudo bem padre, entendo o senhor!Vou me retirar assim que terminar minhas orações.-Respondeu ela apressada.
-Certo.Estarei lá dentro caso precise de mim.Respondeu ele apontando para uma porta que levava para dentro da igreja.
O padre fez o caminho de volta para o altar.Dessa vez seu caminhar era rápido e forte.Entrou pela porta e tudo se silenciou.Não ouvia se quer, a respiração da garota.
Ela porém, mergulhou nas suas orações.Quando ela levantou a cabeça, viu a figura do seu amigo,o qual ela havia matado.Ela se assustou e perguntou:
-Você morreu.O que faz aqui ?Estou ficando louca?
-Você não está louca ou tão pouco viva.Respondeu ele um pouco triste.
-Como assim, 'tão pouco viva'?
-Calma, venha comigo.-Disse ele estendendo a mão para ela.
-Te esperei tanto.Venha comigo?
Ela sem pensar duas vezes, segue com ele rumo a qualquer lugar.Céu, outra vida, terra, universo....para qualquer lugar onde os dois pudessem ser felizes como foram vivos.

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