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sexta-feira, setembro 19, 2014

Coming Back

Seus movimentos eram precisos, como se quisesse impressionar.O que de fato acontecia.
Sua técnica e leveza, dava a impressão de flutuar por todos os espaços do palco.
Sua beleza era de encher os olhos da platéia. Sua roupa cuidadosamente colocada, cada passo bem executado, mostrava confiança no parceiro e nas demais.A dança tinha perfeita sincronia e nossa, era impossível desviar o olhar daquela jovem que dentre as demais, se destacava como se fosse única naquele lugar.No clímax da música, ela girava e girava como uma bailarina na caixa de música, sem nunca perder o equilíbrio e no fim, caía nos braços do companheiro levantando aplausos calorosos vindo de todo o teatro. O palco antigo de madeira naquele instante se tornava a moldura daqueles artistas.Como se fosse uma fotografia em movimento, em áudios, eternizando aquele pequeno espaço do instante.
As cortinas vermelhas de veludo, fecharam-se e a plateia ainda estava anestesiada pelo espetáculo.
Meus olhos ainda permaneciam no exato lugar em que a jovem ficou quando delicadamente agradeceu os aplausos.
Segui em direção ao camarim e meus passos largos,apressados me faziam esbarrar na multidão que ficava nos corredores parabenizando o pessoal. Eram flores, sorrisos, abraços, choros de emoção, elogios...uma sinestesia múltipla.Mas meu objetivo era outro.A única de cabelos ruivos levemente cacheados que brilhou na noite me deixando boqui-aberto.
A vi com seu roupão bordado com flores que pareciam colocadas uma a uma cuidadosamente. Foi então, que ela se virou e um sorriso largo estampou seu rosto branco e fino.Veio em minha direção com os braços já abertos esperando um abraço.Abraço.Aquele em que você não tem vontade de soltar mais a pessoa.Sentia seu perfume que se misturava com o de seus cabelos e tudo se dissolvia ao meu redor, como se existisse somente nossa presença.
Saímos sem direção e numa pequena praça ela parou, tirou seu calçado e começou a rodopiar no pequeno coreto no centro da praça.Não havia música, somente o som do vento era a trilha sonora daquela ocasião.Seu vestido rodava com ela, seu sorriso de criança caracterizava sua alegria. E eu como sempre a observar. Notava que tudo era tão simples mas com beleza imaginável. Seus movimentos eram diferentes da apresentação e a ouvi dizer com os olhos fechados mas com o sorriso entre as palavras:''Não precisa de música ou coreografia quando se tem a dança guardada no coração.Posso imaginar uma música, um lugar e começar a dançar.''

Ela estendeu sua mão pequena em minha direção me convidando para dança. Aceitei o convite e a rodei, terminando seu giro junto a mim.Sentia seu coração bater junto ao meu. Seu olhar rente ao meu.Sua respiração ofegante, seu perfume adorável e sua boca corada pedindo um beijo.Beijada.Senti sua mão no meu pescoço enquanto a minha segurava sua cintura.Naquele momento, o vento era a musica, as estrelas o cenário e o coreto a moldura daquele espetáculo, daquela dança, da qual nós dois fazíamos parte.
A levei para casa.Nossa casa.A vi se trocar, sempre provocante.Veio em minha direção com um olhar sedutor deitou-se do meu lado,me deu beijo.Beijos que não pararam mais.Minhas mãos deslisavam em seu corpo.Nos perdemos em um mar de lençóis.Esse foi o fim.A apresentação final.O sol do amanhecer foi a cortina vermelha.Encerrando o espetáculo para deixar a todos, no meu caso...no nosso caso, esperando o próximo.Que seria breve.Pois cada dia que se passa, vivo um novo espetáculo com ela e sempre espero o próximo e o próximo...


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