Mary era apenas uma garota normal como qualquer outra de 10 anos.Levava uma vida simples sem muitos acontecimentos extraordinários e estupendos. Mary morava no interior de Londres com sua mãe, apenas. Seu pai havia morrido de uma grave doença quando ela tinha 4 anos de idade. Ela adorava o lugar onde morava,adorava a escola e seus amigos.No fim de cada tarde de sexta feira, ela iria ao campo para ver o sol se pôr de cima de uma grande e antiga árvore.Era o lugar favorito de Mary.Ela o frequentava desde os seus 6 anos, quando em uma de suas 'aventuras' pelo terreno de sua família, encontrou esse campo que floria na primavera e ficava como um tapete branco no inverno.
Mary, começou sua rotina como sempre fazia.Acordava às sete da manhã para ir ao colégio, lavava seu rosto, descia para a cozinha, tomava seu café e dava um beijo em sua mãe antes de ir para a escola.
Cantarolando pela estrada, Mary seguia sempre observando a natureza em sua volta, até o ponto onde ela parava para esperar o ônibus que a levava para a escola.
Mary, cresceu assim.Nessa vida e nessa rotina.Quando ela alcançou seus 16 anos, ela continuava a ter a mesma vida.Mas algo iria mudar.Algo de novo estaria para acontecer na vida dessa simples garota.
Mary, estava no pomar colhendo maçãs-uma de suas tarefas em casa- e percebeu que havia vizinhos novos na fazenda próxima á dela. Mary levou o cesto até a cozinha e foi dar as boas vindas aos novos moradores.
Sua mãe, já estava lá com um pratinho de bolo na mão- costume do local levar um prato de alguma quitanda para as pessoas novas-, e se juntou a sua mãe num simpático 'Olá'.
A mãe de Mary, parecia que havia conhecido a mulher do novo fazendeiro á séculos, pois as duas não paravam de falar.Mary em seus pensamentos, as comparou com um bando de galinhas da angola.Feito isso, um sorriso saiu de seu rosto e logo ela escutou uma voz um tanto quanto imponente ao seu lado:
-Belo sorriso.Disse o jovem filho do casal que acabara de se mudar.
Mary um pouco assustada, se vira e encolhe o sorriso dando lugar para as bochechas coradas, responde evitando olhar diretamente para o rapaz:
-Obrigada.
-Prazer, Billy.Billy Cook.
-Mary Bell.
Depois das apresentações, finalmente as duas mães se calaram e a mãe de Mary disse:
-Vamos filha, está ficando tarde e os Cook precisam terminar de arrumar sua mudança.
Mary deu um suspiro curto que demonstrou discretamente que queria ficar mais e conhecer melhor Billy.
Mas ela não foi contra sua mãe, acatou a ordem e disse para Billy:
-Até mais, Cook!
-A gente se vê por ai, Mary Bell.Respondeu ele com um sorriso de certeza e com um ar um pouco misterioso.
Passado-se três dias, Mary não havia mais visto o tal Billy Cook.Ela já estava achando que ele era fruto da sua imaginação ou apenas ele estaria trabalhando muito com seu pai no Haras que havia á poucos quilômetros das duas fazendas.Como de costume, Mary foi até ao campo no fim da tarde de primavera.O ar estava leve, a brisa suave e refrescante e o céu estava em cores mistas,mesclando o azul, laranja e vermelho.Mary, subiu até o velho e bom tronco e ficou admirando o pôr do sol.Logo ela sente uma presença e rapidamente ela olha para traz e vê Billy.
-Que lindo fim de tarde, não ?-Indagou ele olhando para o céu.
-Sim.-Respondeu ela com um sorriso de canto de boca que demonstrava sua satisfação em vê-lo.
-Nunca vi um pôr do sol tão lindo assim.Na cidade, não tínhamos esse privilégio.Quando meu pai disse-me que iriamos nos mudar para o interior, achei que seria algo chato e entedioso.Mas mudei meu conceito.Aqui é um lugar lindo, gosto do meu novo trabalho e das pessoas que moram aqui,são todas agradáveis.Além do mais, esse campo é maravilhoso e com você aqui, ele se torna perfeito.
Mary, ficou muito envergonhada com o comentário de Billy.Porém ficou feliz com tal elogio e entre um belo sorriso ela desceu da árvore e assim que seu pés tocaram o chão, vei-lhe uma pergunta em sua cabeça:'Como ele soube desse lugar?'
Então, ela com um tom um pouco intimidador perguntou-lhe:
-Como você soube desse campo? Nem as pessoas mais velhas que moram por aqui desconhecem desse lugar e você, assim como eu, o achou.
-Sim.Acho que foi a melhor descoberta que fiz.O encontrei numa das minhas 'aventuras'.Disse ele sentando-se ao lado da árvore.
-Acho que você conhece esse lugar melhor que eu.Que tal amanhã você me mostrar um pouco mais daqui?Ele parece ser mais lindo do que posso imaginar.-Convidou Mary para esse passeio.
Mary, disse sim com a cabeça mas logo depois, uma dúvida e uma insegurança tomou conta de seus pensamentos.Ela mal conhecera o rapaz e já estava aceitando o convite para um passeio.Ele era um rapaz da cidade e ela do campo.Realidades diferentes, purezas diferentes.Mas ela, não pensou muito nisso aceitou ligeira o covite e ainda com um tom um pouco superior disse:
-Você vai se surpreender com o local, Moço da cidade.E foi-se embora dando risadinhas o deixando sentando na grama verde do campo.
Ele a acompanhou com olhar até ela sumir entre as árvores que ligavam o campo as fazendas.
Como combinado, Mary terminou rápido suas tarefas para encontrar Billy.Quando ela descia as escadas saltitante, sua mãe de dentro da cozinha a indaga:
- Onde a senhorita vai com tanta pressa?
-Vou me encontrar com o filho dos Cook,mãe.Vou mostrar a ele as belezas das nossas terras.-Respondeu alegremente Mary.
-Que bom minha filha.Fico feliz que tenha feito amizade com o garoto Billy.Ele me pareceu ser muito simpático e um rapaz muito inteligente.Mas não volte tarde.-Disse Amélia-mãe de Mary-.
-Sim mãe.Prometo não demorar.Volto antes do jantar.
E assim, Mary seguiu o caminho até ao campo.A brisa suave do fim de tarde acariciava seu rosto e mexia levemente seus cabelos.Logo, ela começou a se perguntar: 'Será que estou me apaixonando por Billy ?Ele, um garoto da cidade e eu do campo.Ele é um ano mais velho que eu e sabe de muita coisa que não sei, por ter morado na cidade.Mas eu também sei de muita coisa que ele não sabe.Será interessante nosso passeio de hoje.Haverá muita troca de conhecimentos entre nós.'
E assim, concluindo seus pensamentos, ela termina de cruzar a floresta e chega ao campo e avista Billy sentando no mesmo lugar de ontem.Na grama próximo á árvore.Ela se aproxima com cautela e ele percebe sua presença e diz olhando para o horizonte:
-Pontual você.Assim como as senhoritas da capital.
-Obrigada!Mas elas não são como eu e eu não sou como elas.Acho que temos apenas isto em comum.Respondeu ela um pouco irritada.
-Sim, você não é igual á elas.Desculpe minha falha.Você é melhor.Venha, sente-se aqui.-Ela se sentou-Você é pura, tem uma beleza natural e é uma menina simples e gosta de ser assim.As garotas da cidade não suportam a vida que você leva e se escondem debaixo de um monte de maquiagens.Se elas fossem como você...-Billy segura na mão de Mary e a olha com ternura. Mary retribuiu o olhar e ficou muito feliz de ter escutado tais elogios.Ela se sentiu flutuando.Eles ficaram ali, sentados um ao lado do outro conversando.Esqueceram do passeio e do tempo.Quando Mary se deu conta, já era tarde e ela tinha que voltar para casa. Ela deu um beijo no rosto de Billy e saiu correndo para não se atrasar mais ainda.Cruzou a floresta como um vendaval.Seu vestido balançava e seus cabelos dourados bagunçavam com a correria.
Quando ela se encontrou no quintal, parou de correr e começou a caminhar rápido e fumegando.Ela por fim se encontrava na porta da cozinha.Subiu os três degraus e girou a maçaneta e entrou na cozinha.Ela se encontrava quentinha por conta do fogão de lenha fumegando com brasas vermelhas porém quase se tornando invisíveis pois estavam apagando-se.Mary entrou chamando sua mãe mas ela não tinha retorno o que ela escutava era apenas o ruido do vento lá fora.Mary então, subiu até o segundo andar e viu a porta do quarto de sua mãe aberta e já foi soltando o discurso:
-Desculpe o atraso mãe, perdi a hora pois o assunto estava muito bom.
E Mary foi adentrando no quarto e notou do lado esquerdo da cama que havia uma mão estendida, mas que não se mexia.Mary correu e logo viu que era sua mãe morta com uma facada nas costas.
Mary se ajoelhou ao lado, pegou a cabeça de sua mãe já falecida e começou a chamar por ela e aos prantos gritou.Gritou tão alto que os vizinhos escutaram seu grito e logo foram ver o que havia ocorrido.
O vizinho Jack, que era mais próximo da família, correu até o quarto perguntado:
-Mary, o que houve?
-Aqui Jack, no quarto da minha mãe!-Disse ela entre soluços.
-Oh meu Deus.Amélia.O que aconteceu Mary?- Perguntou ele indignado .
-Eu não sei.Eu sai e a deixei fazendo o jantar. Ela estava bem.-Respondeu ela chorando mais ainda.
-Que barbaridade meu Deus.Venha Mary, vá para minha casa, fique com minha esposa.Eu arrumo essa bagunça.
Quando Mary saiu de casa, viu todos os vizinhos alvoraçados em frente sua casa.Mas quem ela mais queria que ela Billy ela avistou de longe apenas.Então ela entrou na casa de Jack.
Mary, ficou intrigada.Quem poderia ter assassinado sua mãe?A família não tinha inimigos e muito menos sofria ameaças.
Mary não tinha a menor ideia de quem era o assassino de sua mãe.Mas ela tinha uma certeza: Se matou sua mãe, iria matá-la também.
Logo, Mary ficou morando um tempo na casa de Jack.Percebia que não havia muio movimento na casa dos Cook.Será que foram passar alguns dias na cidade?Ou será que o haras estava dando muito trabalho.Ela não deu muita importância, pois Billy não a via depois da morte de sua mãe e muito menos ia ao campo.
Em um fim de tarde de sexta, Mary voltou ao campo.Se sentindo mais solitária dessa vez.Ela cruzou a floresta e antes de chegar ao campo escutou dois homens conversando:
- Você fez o serviço como mandei? -Perguntou um homem que aparentava ser mais velho pelo tom de voz rouca e grossa.
-Sim senhor.Fiz como me mandou.Não deixei nenhuma pista também.-Disse um outro homem um pouco mais novo e um pouco fumegante, como se tivesse corrido.
-Muito bem.Agora falta apenas uma para concluirmos o trabalho.-O homem mais velho disse concluindo com uma risada que se misturou com a do jovem.
Mary identificou os dois homens e logo que percebeu quem era, ficou pasma e suas pernas não se moviam para sair daquele lugar.Quando ela conseguiu forças, saiu correndo dali o mais rápido que pôde.
Os homens escutaram ao longe seus passos e um deles disse:
-Quem está ai?
-Não deve ser ninguém.Dever ser apenas um coelho.Respondeu o mais velho e entre risos foram embora.
Mary chegou em casa e se trancou no quarto.Se sentou no canto direito e encolheu suas pernas para perto do peito e começou a chorar.Chorou tanto que quando os soluços pararam, ela teve o pensamento: 'Preciso sair daqui.E me vingar daqueles que me enganaram o tempo todo.Vou para a cidade e lá vou adquirir tudo o que preciso para me vingar destes que abusaram de minha pureza'.
Mary juntas suas coisas e no meio da noite segue rumo á Londres.
....contiuna

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